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Cavalo não é automóvel

O gaúcho tem sua figura ligada ao cavalo, está no consciente humano universal, independe da vontade de quem discorda, basta conhecer a história gaúcha para aceitar esta condição. Porém, para que haja perfeita sintonia, tanto o homem como o cavalo deve ser domado, cada um a sua maneira. O cavalo não nasce para ser de pronto montado, ele precisa ser domado.

No meu tempo de guri, lá na minha Irai-RS, falar em domar era o mesmo que dizer “quebrar queixo”. Hoje, o animal é amansado e preparado de forma diferente, com menos violência. Por outro lado, o homem também deve ser, em outras palavras domado, ou seja preparado para a montaria. O homem do campo já traz ou formou pela vivência a sua doma. Mas, o homem urbano está mais ligado ao automóvel, que quando para, desliga e pronto!

Para melhor externar os cuidados que o cavaleiro deve tomar com seu animal, devemos rebuscar nosso passado no quartel de cavalaria, ao final das cavalgadas os soldados deveriam cuidar primeiro de seus animais, o homem ficava relegado ao 2º plano.

Considerando o evento da Cavalgada do Mar, me sinto no dever de sair em defesa do Comandante Vilmar Romera e de seus companheiros. Não podemos dizer que não lamentamos os óbitos dos animais, agora não se pode querer sentenciar o fim de um evento, hoje reconhecido e admirado no mundo, por incidentes isolados, se considerarmos sua grandeza.
 
Fatos negativos podem ser consertados, afinal também não é a primeira vez que ocorrem acidentes, já tivemos inclusive perdas humanas. O fato da imprensa dar grande destaque para o ocorrido servirá positivamente para o engrandecimento do conhecimento histórico. Com certeza o Comando, não só da Cavalgada do Mar, mas também de outros eventos, como Cavaleiros Farroupilhas, Cavaleiros da Paz, e tantos mais que poderíamos citar...
 

Pontos que entendo que devam ser reavaliados:

1º) A distância percorrida diariamente deverá levar em conta a temperatura do dia;

2º) A distância percorrida diariamente dependerá também das condições físicas do animal;

3º) O terreno a ser percorrido deverá ser levado em conta (por exemplo, a areia cansa mais);

4º) Adotar o sistema que a Cavalaria do Exército utilizava, onde Sargentos e Cabos acompanhavam na retaguarda e flancos para cuidar da disciplina dos exibidos, não deixando que os animais comessem ou bebessem qualquer coisa, com exceção dos bebedouros pré estabelecidos;

5º) Estipular que para cada número determinado de cavalos participantes, seja disponibilizado um veterinário para examiná-los, em razão de que muitos são animais que vivem confinados, obesos e sem preparo físico.

6º) Quanto ao aproveitamento melhor dos eventos, sugerimos que  ocorram atividades que contem a história do mesmo, ministradas por técnicos direcionados apenas para este trabalho, nos vilarejos e cidades pelos quais a cavalgada passar;

7º) Os dejetos deixados pelos animais na praia deverão ser imediatamente recolhidos para evitar o desconforto dos veranistas.
 
8) Não dar destaques exagerados as autoridades políticas, evitando com isto que os adversários descarreguem em evento tão importante as suas divergências
 
Jamais podemos aceitar a idéia de terminar com evento de tamanha grandeza como a Cavalgada do Mar, por fatos graves e lamentáveis sim, mas que podem ser consertados.

Salve os cavalarianos que tombaram em defesa do respeito, da honra, da liberdade e da Pátria.


Salve os cavalarianos que mantém vivo as façanhas de outrora!

Bernardino Vendruscolo

Vereador – PMDB