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Vereador Bernardino é o orador da homenagem ao Marechal Osorio, em sessão solene realizada pela Câmara Municipal de Porto Alegre
Em sessão solene realizada pela Câmara Municipal de Porto Alegre, em 24/06/2008 (terça-feira) para festejar os 200 anos do nascimento do Marechal Osorio, o vereador Bernardino foi o orador onde, discursou sobre a história deste valente baluarte militar que muito contribuiu para a historia e formação do povo riograndense. Ao final de seu discurso, Bernardino declamou uma poesia de sua autoria em homenagem ao Marques do Herval. Clique no título e veja a íntegra do discurso e do poema. Discurso em homenagem aos 200 anos do nascimento do Marechal Osorio Vereador Bernardino Vendruscolo General Osorio (1808-1879). Manuel Luis Osorio, Marquês do Herval, foi um dos principais chefes militares brasileiros do séc. XIX. Sua carreira militar esteve sempre ligada à política do Império brasileiro na Bacia do Prata. Foi um dos mais destacados comandantes brasileiros na Guerra do Paraguai. Político do Partido Liberal, foi ministro da Guerra nos últimos anos de sua vida. Um decreto de 1962 consagrou-o como patrono da Arma de Cavalaria do Exército brasileiro. Claudio Moreira Bento, em seu livro General Osorio, o maior Herói e Líder Popular Brasileiro (pg.17 - 2008) cita: “Osorio, nome que foi legenda e que é glória, o líder sem igual em combate. Foi a estrela guia em negros horizontes no caminho da luta e da vitória. Formou-se na academia Militar das Coxilhas, na fronteira do vai e vem, entre paratatás de centauros, pontaços de lanças, tilin-tilins de armas brancas, quadrados de infantaria, troar de canhoões e cargas de cavalaria, na belicosa coreografia da arte militar dos Pampas“. Filho do militar Manuel Luis da Silva Borges e de Ana Joaquina Luísa Osorio, nasceu no dia 10 de maio, na Fazenda Nossa Senhora da Conceição do Arroio (atual Parque Histórico Marechal Osorio), na província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Foi criado na fazenda de gado do avô materno, Tenente Thomaz José Luis Osorio. Registra-se aqui que o sobrenome Osorio foi herdado da sua mãe em homenagem ao avô materno, o também militar Tenente Thomaz José Luiz Osorio. É relevante ainda mencionar, conforme informações retiradas do livro General Osorio (Francisco Doratioto - pg. 24 - 2008) que o pai de Osorio também chamava-se Manoel Luis, um bisneto de imigrantes açorianos vindos a Santa Catarina em meados do século XVIII. Serviu no exército português como furriel (3º Sargento), que depois de preso ao se indispor com um oficial que maltratava um soldado, fugiu e acabou por acaso chegando a Nossa Senhora da Conceição do Arroio, onde foi empregado de seu futuro sogro, vindo a casar-se com sua filha mais nova. Na verdade, Manoel Luiz tinha o sobrenome Silveira, que por ser desertor escondeu para evitar sua identificação. Por este motivo a particularidade da palavra Osorio não ter acento agudo, como manda a ortografia portuguesa, quando da referência ao Marquês de Herval, já que se adotou a ortografia utilizada pela família Osorio, ou seja, sem acento. Pedido este, do próprio Manoel Luis Silva Borges, querendo, desta forma, perpetuar o sobrenome por consideração à sua esposa e ao seu sogro, o Tenente Thomaz José Luis Osorio, que o protegera na desgraça, como anteriormente mencionado. Em 1823, com 15 anos incompletos, assentou praça na Cavalaria da Legião de São Paulo e acompanhou o Regimento de seu pai na luta contra as tropas portuguesas do Brigadeiro Dom Álvaro da Costa, estacionadas na Cisplatina, que não aceitaram a independência do Brasil. Teve seu batismo de fogo à margem do arroio Miguelete, nas proximidades de Montevidéu, num combate contra a cavalaria portuguesa. No ano seguinte, foi feito primeiro cadete e, logo depois, alferes do 3° Regimento de Cavalaria de primeira linha. Daí em diante, o destino de Osorio esteve ligado a todas as lutas que o Império brasileiro travou no Sul, tanto contra os Revoltosos - os farroupilhas - como contra os vizinhos argentinos, uruguaios e paraguaios. Em 1824, Osorio matriculou-se na Escola Militar, mas sua matrícula foi cancelada diante da iminência de nova guerra no Sul. Em 1825, o jovem oficial voltava ao Uruguai, na Guerra da Cisplatina, contra os uruguaios que, ajudados pelos argentinos, tentavam libertar-se do domínio do Império brasileiro. Na batalha de Sarandi (12 de outubro de 1825), Osorio foi o único oficial de seu esquadrão que sobreviveu a derrota das forças brasileiras. Em 20 de fevereiro de 1827, na batalha de Ituzaingó/Passo do Rosário, seus lanceiros foram o único corpo de tropa brasileiro que não foi desbaratado durante a batalha. Em outubro, foi promovido a tenente e participou das conversações de Paz. Seu regimento foi sediado em Rio Pardo (RS), onde passou a residir, dedicando-se à política no Partido Liberal. Em 1835, Osorio servia no 2° Corpo de Cavalaria, em Bagé. Nesta cidade, casou-se com Francisca, filha do juiz de paz Zeferino Fagundes de Oliveira. No mesmo ano estourava a Guerra dos Farrapos. Ligado aos liberais, Osorio de início ficou do lado dos rebeldes, que lutavam por maior autonomia para sua província. Mas sua posição foi se modificando e Osorio acabou passando para o lado das forças do governo central. Francisco Doratioto, no livro General Osorio (pg. 57 – 2008), diz:...Não lhe seria difícil aderir ao movimento farroupilha, pois, afinal Bento Gonçalves e Bento Manoel tinham sido seus superiores nas guerras de que participou na década anterior e também eram liberais. No acampamento, em um banquete com oficiais farroupilhas, Osorio fez seu credo no movimento ao improvisar uma poesia, cuja última estrofe dizia: ”A espada do depotismo nos quer hoje a lei ditar, quem for livre corra às armas se escravo não quer ficar”. O Coronel J. B. Magalhães (Pg.35 – 1978), em seu livro “Osorio”, cita: “... Em 30 de dezembro de 1835, Silva Borges escreve ao filho Osorio:... Estou me aprontando para marchar... Se tu és dos revolucionários que tramam a separação da Província – podes contar em mim um inimigo mais com quem brigar. Adeus. Eram assim os homens do Rio Grande naqueles tempos heróicos”. Logo, Osorio passa para o lado dos imperiais, por sua própria decisão, não nega suas convicções liberais, e justifica que o povo da Província não estava preparado para esta liberdade pretendida pelos rebeldes. Osorio participou de combates contra os Farroupilhas em Porto Alegre, Bagé e Caçapava, distinguindo-se no combate de Herval (3 de maio de 1838). Nessa época, pediu reforma, mas o Exército não quis dispensar seus serviços, promovendo-o a tenente-coronel. Ainda que Francisco Doratioto, no livro General Osorio (pg. 75 – 2008) relate: “... que seu pedido de reforma seria pela ameaça da perda do comando da tropa para um militar com maus antecedentes. Que após a inconformidade de Osorio, Caxias teria dado garantia da sua permanência no comando”. Salvo melhor juízo, concluo que seu pedido de reforma poderia ter outros motivos, mas um é indiscutivelmente considerável: guerrear contra seus ex-companheiros de outras peleias, seus amigos, parentes e irmãos maçons. Não devia ser nada fácil para nenhuma das partes. Sua atuação foi decisiva para as conversações que encerraram o conflito. Ligado à política local, pôde entrar em contato com o ministro da Guerra dos rebeldes, iniciando as negociações diretas para a pacificação da província. É bom lembrar que Caxias, Bento Gonçalves, Osorio e tantos outros líderes do período, eram da Ordem Maçônica. Não se pode precisar de fato em que época Osorio teria ingressado na Ordem Maçônica, há informações distintas de autores diversos, destaco aqui novamente o autor Francisco Doratioto (pg. 71), que no seu livro menciona que nos idos de 1840 Osorio já fazia parte da ordem e Carlos Dienstbach (A Maçonaria Gaúcha - pg. 415) cita que em 1879 Osorio era membro graduado da Loja Honra e Humanidade, com o nº 169 do quadro da loja na cidade de Pelotas – RS. Em 1851, o Regimento de Osorio participou da intervenção militar do Império Brasileiro contra os presidentes argentino e uruguaio Rosas e Oribe. Lutando sob as ordens de Caxias e do caudilho argentino Justo Urquiza, Osorio destacou-se na batalha de Monte Caseros (3 de fevereiro de 1852), em que Rosas foi definitivamente derrotado. Em março, era promovido a coronel. Passou alguns anos servindo em várias localidades do Rio Grande do Sul. Em 2 de dezembro de 1856, foi graduado brigadeiro. Nomeado inspetor de cavalaria no norte do país, ali permaneceu pouco tempo, logo regressando ao Rio Grande do Sul. No final de 1864, Osorio foi indicado para comandar uma das duas divisões brasileiras que invadiram o Uruguai para depor o presidente Aguirre. Essa intervenção foi o prelúdio da Guerra do Paraguai. Em 1º de março de 1865, Osorio foi nomeado comandante-em-chefe das forças de terra brasileiras na Guerra do Paraguai. Dedicou-se, de início aos trabalhos de recrutamento e treinamento de homens e organização do material logístico para a campanha. Em 16 de abril de 1866, comandou as tropas brasileiras que invadiram o Paraguai. Foi o primeiro a pôr os pés no território paraguaio no desembarque do Passo da Pátria. No dia 1º do mês seguinte, recebeu do imperador o título de Barão do Herval. Osorio foi o mais destacado comandante da primeira fase da guerra. Estabeleceu e consolidou, no Passo da Pátria, a cabeça-de-ponte para o ingresso dos exércitos aliados em terras paraguaias, na confluência dos rios Paraná e Paraguai. Sua atuação pessoal em Tuiuti foi decisiva para a derrota dos paraguaios. Ferido por uma bala, retirou-se temporariamente para o Rio Grande do Sul, onde, ocupando o posto de comandante de armas da província, treinou novos contingentes para a guerra Sem estar completamente restabelecido, voltou ao Paraguai em marco de 1867 e assumiu o comando do 3° Corpo do Exército, sob o comando geral de Caxias. Participou da marcha de Tuiuti na direção de Tuiu-Cuê. Nessa fase foi promovido a tenente-general (1° de julho de 1867) e elevado a Visconde do Herval (3 de março de 1868). Em agosto de 1868, comandou as forças de terra que conquistaram Humaitá, a principal fortaleza Paraguaia. Na batalha de Avaí (11 de dezembro) foi atingido por uma bala no maxilar. Passou o comando do corpo de tropa que dirigia, mas ficou no campo de batalha, pois sua simples presença infundia ânimo aos soldados. Osorio reunia a bravura, que o fazia lançar-se na luta na frente de todos e à simplicidade no trato com os soldados. Por isso era um dos oficiais que tinham mais prestígio junto à tropa. O ferimento obrigou-o a um novo período de repouso no Brasil, onde permaneceu entre fevereiro e julho de 1869. Em 6 de julho, já sob o comando geral do Conde D’Eu, assumiu no Paraguai a direção do I Exército. Sem estar completamente restabelecido, participou da batalha de Peribeluí (12 de agosto), onde escapou por pouco ao fogo inimigo. Em 23 de novembro, seu estado de saúde obrigou-o a deixar definitivamente o Paraguai. Após o fim da guerra, em 29 de dezembro, foi elevado a Marquês do Herval. Osorio ficou vivendo no Rio Grande do Sul, onde era muito popular, sendo um dos chefes principais do Partido Liberal. Fez viagens ao Rio de Janeiro e ao Nordeste (Salvador e Recife), onde foi muito festejado. Foi escolhido senador em janeiro de 1877. Quando os liberais subiram ao poder, em janeiro do ano seguinte, com o gabinete presidido pelo Visconde de Sinimbu, Osorio ocupou o cargo de Ministro da Guerra. Permaneceu no cargo até o último dia de sua vida. Quando morreu, aos 71 anos, de pneumonia, era marechal-de-exército. Hoje seus restos mortais repousam no mausoléu do Parque Histórico Marechal Manoel Luis Osorio, no município de Tramandaí / RS, local em que nasceu, em 8 de maio de 1808. Em homenagem e respeito aos nobres homens e mulheres de outrora me atrevo a dizer: no Sul, se somos o que somos em imensidão territorial, em sentimento pátrio, devemos ao suor e sangue derramado por Osorio, Bento Gonçalves, Caxias, Canabarro, Corte Real, Neto e tantos outros que fizeram história no Rio Grande de São Pedro. Há uma afronta ao passado, se nos dias de hoje, vivemos este triste momento político, assistindo-o pacificamente, é tão somente pela omissão dos homens de bem, os mesmos que no passado pegaram em armas em defesa da liberdade, igualdade e humanidade. **Consulta Bibliográfica: Site da Fundação Parque Histórico Marechal Manoel Luis Osorio e autores citados na própria pesquisa. POEMA Marechal Osorio Bernardino Vendruscolo I Forjado ainda piazito No laboratório da Campanha Fez quando menino Sua primeira façanha II Iniciou o manuseio das armas Ombreado com seu pai, não recuou Nos entreveros das peleias Jamais vacilou III Manoel Luis Osorio, Marquês do Herval No decênio heróico iniciou Republicano e terminou Imperial Na vida amou eternamente sua Pátria Nas guerras foi o primeiro de seu tempo IV Soldado da linha de frente Osorio defendeu sua gente Homem determinado e combatente Vindo da cepa Riograndense V Temido pelos inimigos Respeitado pelos superiores Adorado pelos subordinados Em combate nunca deu costado VI Cavaleiro das guerras Nos combates de montaria Defensor de sua terra Nas linhas de sesmaria VII Guerreiro de cavalaria Nas cargas de combate Centauro de montaria Não ficou na estrebaria VIII Batizado a fogo em Montevidéu Sobreviveu no combate do Sarandi Brigou em Rosário/Ituzaingó Ferido em Avaí IX Fez tremular a bandeira em Humaitá Marchou em Tuiuti De trincheira em trincheira Demarcou o Brasil. X No comando da estrela guia Fez-se chefe da cavalaria Lutou por amor e ideal Lema de uma vida XI Na luz dos canhões e da arma branca De espada em punho bradou, sem temer É fácil comandar homens livres Basta mostrar-lhes o caminho do dever Bernardino Vendruscolo Vereador |