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Vereador Bernardino faz um chamamento à Imprensa

A Reforma Política encalhada no Congresso Nacional volta à discussão toda vez que algum escândalo assola uma das Casas Legislativas que o compõe, e também assombra, numa ciranda inesgotável de escândalos, a sociedade brasileira.

Não se pode negar o importante papel que a imprensa desempenha na cobertura, denúncia e divulgação dos episódios de corrupção na política brasileira, os quais, lamentavelmente, vêm se transformando em rotina e traduzindo em desesperança, descrédito e apatia a participação do povo na vida política nacional.

Todavia, a imprensa juntamente com os demais setores organizados da sociedade civil tem um papel muito maior a desempenhar no intuito de preservar as liberdades democráticas tão duramente conquistadas em nosso país.

A Constituição Federal aprovada em 1988 avançou nas garantias individuais e no estabelecimento de políticas sociais que privilegiam a dignidade da pessoa humana. No entanto, talvez pelo fato de não ter sido uma Assembléia Nacional Constituinte Exclusiva, deixou muito a desejar no tocante a organização política e atuação parlamentar no Congresso Nacional.

Hoje, a Carta Magna está necessitando de uma revisão. Na impossibilidade atual de se convocar uma Assembléia Nacional Constituinte Exclusiva para discutir e elaborar uma Reforma Política capaz de coibir o oportunismo partidário, a corrupção do mandato, o lobby decorrente do poderio econômico e os desmandos do parlamento, entendo necessário a constituição de uma Comissão composta por cidadãos e cidadãs isentos e independentes, comprovadamente com respeitabilidade social e inatacável firmeza moral, portadores de conhecimentos jurídicos, econômicos e sociais necessários ao adequado e indispensável tratamento que requer o tema em comento.

A Comissão com atribuição também de ouvir a sociedade elaboraria um anteprojeto de Reforma Política que, ao fim e ao cabo, trouxesse novos parâmetros para a vida política brasileira, privilegiando a defesa intransigente da sociedade brasileira e banindo da vida política nacional aquele que faça da sua atuação política um balcão de negociação onde o grande perdedor é o Estado e o povo brasileiro.

Uma Reforma Política séria não deve ser o sonho de poucas pessoas que se atrevem a debater o tema. Deve sim, está na ordem do dia de todas as entidades sociais e na pauta cotidiana de toda a imprensa. Só dessa forma, com a participação de todos os setores, especialmente dos formadores de opinião, é possível acabar com a sujeira que teima em permear as relações de muitos políticos no poder, bem como, eleger e construir a atuação no parlamento de pessoas que tratem a coisa pública com o devido e necessário respeito.

Salvo melhor juízo, com todo o respeito àqueles parlamentares que dignificam a nossa política, me parece que aceitar uma reforma pelos atuais parlamentares não demonstra isenção de interesses.

Bernardino Vendruscolo Vereador - PMDB